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Costela-de-adão: como cuidar em apartamento e ter folhas recortadas

Por · 26 de maio de 2026 · Atualizado em 23 de setembro de 2026 · Plantas de Interior

Muda nova de costela-de-adão (Monstera deliciosa) costuma ter folhas inteiras, em forma de coração, e os recortes que deram fama à planta só aparecem com a idade. Dá para ajudar a planta a chegar lá dentro de casa sem truque nenhum, e o cuidado do dia a dia é simples: regar quando a terra secar em profundidade, e não por dia da semana.

O que faz a folha abrir recortes

Deliciosa ou adansonii: qual das duas está no seu vaso

A diferença está no desenho da folha. Na Monstera deliciosa, a folha adulta é recortada da borda em direção ao centro e ainda ganha furos perto da nervura principal; a Royal Horticultural Society (RHS) registra folhas de até 90 cm na planta adulta, tamanho que em vaso raramente se vê. A Monstera adansonii tem folha bem menor, em forma de coração, com furos ovais entre as nervuras e a borda inteira. As duas são aráceas trepadeiras com raízes aéreas, e a adansonii também fica bonita pendente, caindo de uma prateleira.

Luz: o que decide o tamanho e os furos da folha

A costela-de-adão é nativa das florestas do sul do México ao Panamá, onde começa a vida no chão sombreado e depois sobe pelos troncos em direção à claridade. Dentro de casa, ela quer luz forte e indireta: a RHS indica o lado de uma janela leste ou oeste, ou um ponto mais para dentro de um cômodo bem iluminado, e avisa que sol direto queima a folha. No Brasil, a janela leste costuma ser o melhor lugar, porque o sol da manhã é brando. Nas janelas de norte e de oeste, que recebem sol forte por mais horas, recue o vaso ou filtre a luz com uma cortina fina.

Sol direto nas horas quentes deixa manchas secas, cor de palha, que não se recuperam. No extremo oposto, num corredor ou canto sem janela, a planta estica os caules em busca de claridade, que ficam longos e fracos, e as folhas novas saem pequenas e lisas.

Folha nova sem recorte numa planta que já tinha folhas recortadas é o sinal mais claro de luz fraca, e adubo não resolve isso. Aproxime o vaso da janela aos poucos, ao longo de uma ou duas semanas, para que as folhas formadas na sombra não queimem com a mudança. Um teste prático para achar o ponto: ali deve dar para ler um livro de dia sem acender a luz.

Em cômodo sem janela adequada, uma luminária de LED ou fluorescente de luz branca fria ajuda. O material de extensão da Universidade da Flórida (UF/IFAS) indica oito horas ou mais de luz artificial por dia para plantas de interior, e um timer de tomada resolve a rotina. A distância entre a lâmpada e a folhagem varia com a potência, então siga a indicação do fabricante.

Tutor de musgo: o apoio que faz a folha crescer

Na natureza, a costela-de-adão sobe agarrada às árvores pelas raízes aéreas. Segundo a RHS, quando a planta encontra por onde subir, costuma soltar folhas maiores, mais maduras e com mais furos. Em vaso, esse papel é do tutor de musgo, que também segura a planta, pesada no alto, para ela não tombar. A hora mais fácil de instalar o tutor é o replantio, quando dá para firmá-lo no fundo do vaso sem ferir as raízes.

Costela-de-adão apoiada em um tutor de fibra de coco diante de parede clara
Um tutor firme de fibra ou musgo dá apoio aos caules e guia o crescimento vertical da costela-de-adão dentro de casa. Foto: Annie Spratt / Unsplash
  1. Vaso: só alguns centímetros maior que o anterior e com furo no fundo. Vaso grande demais mantém o substrato molhado por tempo demais, o erro que a RHS chama de overpotting.
  2. Fundo livre: encha o vaso inteiro com substrato e deixe o furo desobstruído. Se ele for largo, cubra só o furo com um pedaço de tela ou manta, para a terra não escapar; camada de pedra ou argila expandida no fundo não drena melhor e deixa água parada mais perto das raízes.
  3. Substrato: mistura aerada, com casca de pinus e perlita ou fibra de coco. A receita da RHS é uma parte de substrato para plantas acidófilas para duas de substrato para orquídeas; as proporções para folhagens tropicais estão no guia de como preparar a terra para vaso.
  4. Tutor: crave o tutor (tela plástica recheada de musgo esfagno ou fibra de coco) atrás do caule principal, até encostar no fundo, antes de completar o vaso com substrato.
  5. Amarração: prenda o caule ao tutor com fita elástica de jardinagem ou velcro macio, sem apertar.

Musgo seco não segura raiz. Molhe o tutor sempre que a superfície dele secar, despejando água devagar do alto, para que as raízes aéreas encostadas nele enraízem ali, como descreve a RHS. As raízes aéreas que saem dos nós não precisam ser cortadas: encoste as mais novas no tutor úmido ou conduza as compridas para dentro do vaso, onde ajudam a firmar a planta.

Rega, adubo e o cuidado com crianças e pets

O ritmo de água depende da luz, do calor e da ventilação do cômodo, por isso muda ao longo do ano. A extensão da Universidade Estadual da Carolina do Norte (NC State) orienta regar bem e esperar secar de um quarto a um terço da altura do substrato antes da rega seguinte.

No outono e no inverno, e em cômodos com ar-condicionado ligado o dia todo, a terra demora mais a secar e a planta cresce menos. Espace as regas de acordo com o teste do dedo e deixe o adubo para a primavera.

Sinais nas folhas e o que corrigir

A folha mostra o problema antes de a raiz morrer. Amarela perto da base costuma ser excesso de água; borda seca e quebradiça aponta sede ou ar muito seco; folha nova pequena e lisa numa planta adulta indica pouca luz.

Folha de costela-de-adão amarelando a partir das bordas, com ponta seca, sobre mesa de madeira
Folha amarelando por inteiro é um dos sinais que o diagnóstico foliar ajuda a ler, muitas vezes ligado a terra encharcada por dias seguidos. Foto: Phil Hearing / Unsplash
SintomaCausa provávelO que fazer
Folhas de baixo amarelas e caule moleExcesso de água ou furo do vaso entupidoSuspenda a rega, confira se a água escoa pelo furo e troque o substrato se houver cheiro ruim
Folha nova sem recorte numa planta que já tinha recortesLuz insuficienteAproxime o vaso da janela aos poucos ou complemente com luz artificial
Muda jovem só com folhas inteirasFase juvenil, normal nos primeiros anosNada a corrigir: com luz forte e tutor, os recortes aparecem com a idade
Bordas secas e pontas marronsAr seco, vento do ar-condicionado ou falta de águaRegue até escorrer quando a terra secar e afaste o vaso da saída de ar
Pontas queimadas logo depois de adubarAdubo demais ou aplicado com a terra secaLave o substrato com bastante água, deixando escorrer pelo furo, e volte ao adubo diluído só na estação de crescimento
Planta murcha com a terra ainda molhadaRaízes apodrecidasTire a planta do vaso, corte as raízes escuras e moles e replante em substrato novo

Uma combinação comum de problemas é pouca luz com rega por calendário. Na sombra, a planta cresce devagar e usa pouca água; a terra fica molhada por muito tempo, e é em solo encharcado que os fungos de podridão de raiz, como Pythium e Phytophthora, mais se multiplicam, segundo a extensão da Universidade de Wisconsin.

Perguntas frequentes

Borrifar água nas folhas ajuda a costela-de-adão?

Pouco. A Penn State Extension explica que a umidade sobe só até a água evaporar, o que leva minutos, então nem borrifar todo dia muda o ar em volta da planta. O que faz diferença para a costela-de-adão é manter úmido o musgo do tutor, onde as raízes aéreas se prendem. Para tirar a poeira, use um pano úmido; em cômodo abafado, gota parada sobre a folha favorece manchas causadas por fungos.

Qual é a melhor época para podar ou fazer muda?

A primavera, quando a planta volta a crescer; a RHS indica fazer estacas da primavera ao fim do verão. O corte vai logo abaixo de um nó, de preferência um que tenha raiz aérea, e pede luvas por causa da seiva. O passo a passo está no guia de como podar a costela-de-adão e enraizar o galho.

Por que as folhas novas nascem claras e moles?

É normal. A folha recém-aberta é mais fina e mais clara e ganha firmeza e verde-escuro nas semanas seguintes, desde que haja luz suficiente. Se as folhas continuam pálidas e pequenas depois de firmes, o problema é falta de luz ou de adubo.

Fontes consultadas

Luciana Baptista

Luciana Baptista

Editora do Pérola Búzios

Luciana Baptista é a editora responsável pelo Pérola Búzios. Os guias do site são apurados em fontes técnicas, como serviços de extensão universitária, jardins botânicos, Embrapa, literatura científica e, nos temas de toxicidade, bases veterinárias e centros de informação toxicológica, e traduzidos para a realidade de quem cultiva em apartamento, com as fontes listadas no fim de cada artigo.