
Dinheiro-em-penca: como cuidar, regar e deixar a cascata cheia
Dinheiro-em-penca é nome de duas plantas diferentes nas floriculturas, e saber qual delas está no vaso decide quase tudo na rega. As duas pedem muita claridade sem sol forte, substrato leve e podas frequentes nas pontas para formar aquela cascata cheia de folhinhas redondas.
Callisia ou Pilea: qual dinheiro-em-penca você tem
O nome batiza a Callisia repens, da família Commelinaceae (a mesma da trapoeraba), e a Pilea nummulariifolia, da família Urticaceae. A Callisia, que também é vendida como tostão, tem folhas pequenas e carnudas e aguenta alguns dias de terra seca; a Pilea é uma herbácea de floresta úmida que murcha rápido quando falta água.

Pelas fichas da extensão da Universidade Estadual da Carolina do Norte (NC State), a Callisia tem folhas miúdas, ovais e lisas, caules arroxeados que enraízam nos nós e variedades de folha verde, rosa, dourada ou mesclada. É nativa do sul dos Estados Unidos à América tropical, Brasil incluído. A Pilea tem folha redonda, verde-clara e brilhante, com nervuras afundadas que deixam a superfície com aspecto enrugado e a borda levemente recortada. Nenhuma das duas é a Pilea peperomioides, a planta-chinesa-do-dinheiro, que tem folhas grandes e redondas presas por um cabo comprido.
| Característica | Callisia repens (dinheiro-em-penca, tostão) | Pilea nummulariifolia (dinheiro-em-penca) |
|---|---|---|
| Família | Commelinaceae | Urticaceae |
| Folha | Pequena, oval, lisa e carnuda; caule arroxeado | Redonda, fina, enrugada, com nervuras afundadas |
| Falta de água | Tolera terra seca por alguns dias | Não tolera seca: murcha e perde folhas |
| Sol | Aceita sol brando parte do dia; sol forte mancha e queima | Prefere meia-sombra |
| Cães e gatos | Tóxica: seiva irrita pele e boca | Não tóxica, segundo a ASPCA |
Tratar uma pela outra é o erro clássico. Regada como planta de brejo, a Callisia apodrece; esquecida como suculenta, a Pilea seca e derruba as folhas pelas bordas do vaso.
Luz: o que deixa a cascata densa
As duas querem muita claridade filtrada ao longo do dia. No Brasil, a janela leste é a mais segura, porque o sol da manhã é brando; nas janelas de norte e de oeste, que recebem sol forte por mais horas, pendure o vaso mais para dentro ou atrás de uma cortina fina, para as folhas não cozinharem junto ao vidro.
A NC State resume os dois extremos para a Callisia: sol direto intenso descolore e queima as folhas, e sombra demais deixa os caules compridos e fracos. A Pilea aceita menos luz, de meia-sombra a sombra clara, mas também afina quando fica longe de janela.
Com pouca luz, os ramos estiolam: esticam em busca de claridade, o espaço entre as folhas aumenta e o vaso fica ralo e comprido. Nas variedades coloridas da Callisia, as cores desbotam. Notou o topo ralo ou pálido? Leve a planta aos poucos para um canto mais claro.
Rega: a Callisia aguenta secar, a Pilea não
Para a Callisia, espere a camada de cima do substrato secar bem antes de regar; para a Pilea, a NC State orienta regar quando os primeiros 2 a 3 cm secarem, sem deixar o vaso secar por inteiro. Nas duas, regue até a água sair pelo furo e esvazie o prato de 15 a 30 minutos depois: água parada ali deixa o fundo encharcado e não serve de reserva. O guia de rega das plantas de apartamento explica por que não existe calendário fixo.
- Teste a umidade com o dedo ou um palito de madeira; se sair úmido e frio, adie a rega.
- Use substrato leve, com perlita ou areia grossa lavada misturada a um substrato orgânico de boa qualidade, em vaso com furo livre, sem camada de pedra no fundo.
- Regue devagar pela borda da cuia até a água escorrer pela base e descarte o que ficar no prato ou no cachepô.
Substrato encharcado por muito tempo favorece fungos de solo como Pythium e Rhizoctonia, que apodrecem as raízes finas e derrubam os caules na base, e a extensão da Universidade de Wisconsin lembra que eles se multiplicam melhor em terra molhada. Em apartamento fechado, com pouco vento, a terra demora mais a secar, o que pede intervalos maiores entre as regas.
Poda e mudas para fechar a cascata
Para uma cascata cheia, belisque as pontas dos ramos com as unhas e estimule brotos laterais. As pontinhas cortadas podem voltar para o próprio vaso: os caules das duas espécies enraízam nos nós quando encostam no substrato úmido, segundo a NC State, e fecham as falhas da copa.

- Beliscamento: tire de 2 a 3 cm da ponta de cada ramo ativo com as unhas ou tesoura limpa, para o ramo se dividir em dois.
- Mudas no próprio vaso: deite ramos de uns 5 cm sobre o substrato úmido, com os nós encostados na terra. A época mais rápida é da primavera ao fim do verão; o passo a passo de estaquia está no guia de como fazer muda de planta.
- Base pelada: com o tempo, a própria folhagem pendente sombreia o centro do vaso e os ramos velhos perdem folhas perto da terra. Replante pontas saudáveis no meio da cuia para fechar a falha.
- Renovação: na primavera, corte rente à base os ramos velhos e lenhosos para estimular brotos novos.
- Luvas na Callisia: a NC State classifica a planta como tóxica para crianças e pets se ingerida, e a seiva pode irritar a pele. Pode com luvas e deixe os ramos pendentes fora do alcance dos bichos; a Pilea não tem esse problema.
Para o efeito cascata, prefira cuias suspensas ou suportes de macramê, que deixam os ramos caírem sem se dobrar contra o móvel; veja como fazer um suporte para vaso suspenso gastando pouco. Mantenha o vaso longe da saída do ar-condicionado, cujo vento resseca as pontas e derruba folhas. De tempos em tempos, olhe o verso das folhas e as axilas dos ramos: a NC State cita ácaros, pulgões e cochonilhas na Callisia e cochonilha e mancha bacteriana na Pilea. Como tratar cada praga sem veneno está no guia de pragas em plantas de interior.
