
Plantas tóxicas para cães, gatos e crianças: tabela por nome popular
Esta página reúne as plantas de apartamento com toxicidade confirmada para cães e gatos, organizadas pelo nome popular usado no Brasil, não pelo nome científico. Cada linha das tabelas abaixo traz o nome científico correspondente, a família botânica, a toxina, os sinais esperados em cão e gato e a conduta recomendada. Uma segunda tabela lista as espécies confirmadas como seguras.
Nenhum conteúdo desta página substitui atendimento médico ou veterinário. Diante de suspeita de ingestão ou contato, a seção seguinte, com os telefones de emergência, vem antes das tabelas de propósito: quem chega com urgência não deveria precisar rolar a página inteira para achar o que fazer.
Conduta de emergência
As orientações abaixo valem tanto para criança quanto para cão ou gato, e servem antes mesmo de identificar a planta na tabela. Elas vêm de centros de controle de intoxicação, do Ministério da Saúde e de fontes veterinárias, todos listados na seção de fontes ao final da página.
O que fazer
- Retirar da boca ou da pele o que restou da planta, com cuidado, sem esfregar.
- Enxaguar a boca com água corrente. Em contato com a pele, lavar com água corrente e sabão neutro.
- Em contato com os olhos, lavar com água corrente por 15 minutos e cobrir sem pressão com um pano limpo ou gaze.
- Guardar um pedaço da planta, ou fotografar a folha e o vaso inteiro, para identificação no atendimento.
- Ligar para o Disque-Intoxicação, 0800-722-6001, ou levar direto ao pronto-socorro; para cão ou gato, ligar ou levar ao veterinário com uma amostra da planta.
- No transporte até o atendimento, manter a pessoa ou o animal deitado de lado, para reduzir o risco de engasgo se houver vômito espontâneo no caminho.
- Observar mesmo sem sintoma aparente: em várias plantas desta lista, o efeito demora horas, ou dias, para aparecer.
O que não fazer
- Não provocar vômito. Em plantas de seiva irritante, o retorno do conteúdo do estômago machuca a garganta e o esôfago pela segunda vez.
- Não oferecer água, leite ou qualquer outro líquido por conta própria. Leite não neutraliza veneno, e a decisão sobre dar algo por via oral cabe ao centro de intoxicação, não a quem presta o socorro.
- Não fazer respiração boca a boca se houve ingestão, pelo risco de contaminação de quem socorre.
- Em gato, não usar água oxigenada para tentar induzir vômito. É uma prática seguida em cão sob orientação veterinária, e não é segura em gato em nenhuma circunstância.
Nas plantas da família Araceae desta lista, caso de comigo-ninguém-pode, tinhorão, antúrio e as demais com oxalato de cálcio, o sinal que exige pronto-socorro ou SAMU de imediato, e não apenas uma ligação de orientação, é inchaço de boca ou língua com dificuldade para engolir ou respirar.
O Disque-Intoxicação da Anvisa, 0800-722-6001, é gratuito, atende 24 horas por dia e transfere a ligação para o centro de informação toxicológica mais próximo, dentro da Rede Nacional de Centros de Informação e Assistência Toxicológica. O SAMU, 192, do Ministério da Saúde, também gratuito e disponível 24 horas, é indicado para intoxicação exógena e envenenamento com risco imediato à vida. Alguns estados mantêm um número de CIATox próprio, como a Bahia e o Paraná. Para cão ou gato, o Brasil não tem uma linha nacional de toxicologia veterinária equivalente ao Disque-Intoxicação: o caminho é o veterinário ou o pronto-socorro veterinário mais próximo, com uma amostra da planta em mãos.
Plantas tóxicas
A tabela reúne as espécies de apartamento com toxicidade documentada para cão e gato nas fontes consultadas, em ordem alfabética pelo nome popular usado no Brasil. Aráceas, o grupo de comigo-ninguém-pode, jiboia e costela-de-adão, aparecem ao lado das demais famílias na mesma tabela, porque o risco para quem tem um cão ou gato em casa não muda conforme a classificação botânica. Onde a fonte não descreve um sinal específico para cão ou gato, a célula correspondente traz sem dado confirmado, em vez de uma suposição.
A maioria destas plantas compartilha o mesmo mecanismo, descrito pelo Pet Poison Helpline: cristais de oxalato de cálcio insolúvel, guardados sob pressão nas células da folha, perfuram a mucosa da boca quando o animal morde ou mastiga, liberando o conteúdo da célula na hora. É por isso que o sinal clínico se repete de espécie para espécie, dor, ardência e inchaço na boca, salivação e engasgo: é um evento local e imediato, não uma intoxicação que se espalha pelo corpo.
| Nome popular no Brasil | Nome científico | Família | Toxina | Sinais em cão e gato | O que fazer |
|---|---|---|---|---|---|
| Aglaonema | Aglaonema commutatum (cultivares vendidas no Brasil); a ficha consultada usa Aglaonema modestum | Araceae | Oxalato de cálcio insolúvel | Irritação oral, dor e inchaço de boca, língua e lábios, salivação excessiva, vômito e dificuldade de engolir | Enxaguar a boca com água corrente, não induzir vômito e levar ao veterinário com uma amostra da planta |
| Alocásia (orelha-de-elefante) | Alocasia spp. | Araceae | Oxalato de cálcio insolúvel | Irritação oral, dor e inchaço de boca, língua e lábios, salivação excessiva, vômito e dificuldade de engolir | Enxaguar a boca com água corrente, não induzir vômito e levar ao veterinário com uma amostra da planta |
| Antúrio | Anthurium andraeanum; a ficha consultada usa Anthurium scherzeranum | Araceae | Oxalato de cálcio insolúvel | Irritação oral, dor e inchaço de boca, língua e lábios, salivação excessiva, vômito e dificuldade de engolir | Enxaguar a boca com água corrente, não induzir vômito e levar ao veterinário com uma amostra da planta |
| Azaleia | Rhododendron spp. | Ericaceae | Graianotoxina | Vômito, diarreia, fraqueza e falência cardíaca | Levar ao veterinário mesmo sem sintoma, pelo risco de arritmia |
| Babosa | Aloe vera | Asphodelaceae (a ficha consultada usa Liliaceae) | Saponinas e antraquinonas, concentradas no látex amarelo da folha, não no gel | Vômito, letargia e diarreia | Observar e hidratar; procurar o veterinário se a diarreia for intensa ou persistir |
| Bico-de-papagaio | Euphorbia pulcherrima | Euphorbiaceae | Seiva com ésteres diterpênicos | Irritação de boca e estômago, às vezes com vômito, sem quadro sistêmico grave | Limpar a seiva da pele, enxaguar a boca e observar; procurar o veterinário se o vômito persistir |
| Cica (palmeira-sagu) | Cycas revoluta | Cycadaceae | Cicasina, concentrada nas sementes | Vômito, fezes escuras com sangue digerido, icterícia, sede aumentada, hematomas, coagulopatia e falência hepática | Emergência veterinária: levar o animal imediatamente, mesmo sem sintoma e mesmo com uma única semente mastigada |
| Comigo-ninguém-pode | Dieffenbachia seguine | Araceae | Oxalato de cálcio insolúvel e enzima proteolítica | Irritação oral, ardência intensa em boca, língua e lábios, salivação excessiva, vômito e dificuldade de engolir; o quadro costuma ser mais forte que o das demais aráceas desta tabela | Enxaguar a boca com água corrente, não induzir vômito, observar sinal de dificuldade para respirar e levar ao veterinário com uma amostra da planta |
| Coroa-de-cristo | Euphorbia milii | Euphorbiaceae | Ésteres diterpênicos no látex | Baba, perda de apetite, vômito e diarreia; irritação por contato de pele ou olho com a seiva | Em contato com o olho, lavar com água corrente por vários minutos e procurar atendimento; em ingestão, enxaguar a boca e acionar o veterinário |
| Costela-de-adão | Monstera deliciosa | Araceae | Oxalato de cálcio insolúvel | Irritação oral, ardência intensa em boca, língua e lábios, salivação excessiva, vômito e dificuldade de engolir | Enxaguar a boca com água corrente, não induzir vômito e levar ao veterinário com uma amostra da planta |
| Croton | Codiaeum variegatum | Euphorbiaceae | Ésteres diterpênicos na seiva | Irritação oral e gastrointestinal leve, com baba, vômito ou diarreia; irritação de pele pelo contato com a seiva | Lavar a pele exposta com água e sabão, lavar o olho com água corrente e acionar o veterinário se a ingestão for grande ou os sinais persistirem |
| Espada-de-são-jorge | Dracaena trifasciata (sinônimo Sansevieria trifasciata) | Asparagaceae (a ficha consultada usa Agavaceae) | Saponinas | Cão: vômito, às vezes com sangue, náusea, diarreia, apatia, perda de apetite e salivação excessiva. Gato: os mesmos sinais, mais pupilas dilatadas | Não induzir vômito, oferecer água e observar; o quadro costuma ser autolimitado, mas vale acionar o veterinário |
| Filodendro | Philodendron hederaceum | Araceae | Oxalato de cálcio insolúvel | Irritação oral, dor e inchaço de boca, língua e lábios, salivação excessiva, vômito e dificuldade de engolir | Enxaguar a boca com água corrente, não induzir vômito e levar ao veterinário com uma amostra da planta |
| Hera | Hedera helix | Araliaceae | Saponinas triterpenoides (hederagenina) | Vômito, dor abdominal, salivação excessiva e diarreia; a folhagem é mais tóxica que as bagas | Não induzir vômito e levar ao veterinário; qualquer ingestão de folha merece contato com o CIATox ou com o veterinário |
| Hortênsia | Hydrangea macrophylla (a ficha consultada usa Hydrangea arborescens) | Hydrangeaceae | Glicosídeo cianogênico | Vômito, apatia e diarreia; a intoxicação por cianeto é rara, o efeito costuma ser gastrointestinal | Observar, oferecer água e acionar o veterinário se a ingestão for grande ou os sinais persistirem |
| Jiboia | Epipremnum aureum | Araceae | Oxalato de cálcio insolúvel | Irritação oral, ardência intensa em boca, língua e lábios, salivação excessiva, vômito e dificuldade de engolir | Enxaguar a boca com água corrente, não induzir vômito e levar ao veterinário com uma amostra da planta |
| Lírio (lírio-tigre) | Lilium spp., inclui Lilium tigrinum e Lilium lancifolium; o mesmo risco renal em gato é documentado para Hemerocallis spp., o lírio-do-dia | Liliaceae | Desconhecida | Gato: vômito, falta de apetite, letargia e falência renal, com possibilidade de morte, mesmo com exposição só ao pólen. Cão: a fonte consultada classifica a espécie como não tóxica para cães | Levar o gato ao veterinário imediatamente, mesmo sem sintoma; tratamento iniciado depois de 18 horas da exposição pode não reverter o dano renal |
| Lírio-da-paz | Spathiphyllum wallisii | Araceae | Oxalato de cálcio insolúvel | Irritação oral, dor e inchaço de boca, língua e lábios, salivação excessiva, vômito e dificuldade de engolir; apesar do nome, não é um lírio verdadeiro e não causa o quadro renal do gênero Lilium | Enxaguar a boca com água corrente, não induzir vômito e levar ao veterinário com uma amostra da planta |
| Tinhorão (caládio) | Caladium bicolor (a ficha consultada usa o sinônimo hortícola Caladium hortulanum) | Araceae | Oxalato de cálcio e compostos não identificados | Irritação oral, dor e inchaço de boca, língua e lábios, salivação excessiva, vômito e dificuldade de engolir | Enxaguar a boca com água corrente, não induzir vômito, observar sinal de dificuldade para respirar e acionar o veterinário |
| Zamioculca | Zamioculcas zamiifolia | Araceae | Oxalato de cálcio | Sem dado confirmado para cão e gato nas fontes consultadas; o quadro documentado (irritação de mucosa e pele, náusea, vômito e diarreia) é o de crianças | Não induzir vômito, retirar restos da planta da boca e levar ao veterinário com uma amostra da planta |
Duas plantas desta tabela pedem reação imediata mesmo sem sintoma: a cica, cuja semente concentra a cicasina e cujo dano hepático em cão e gato pode ser fatal, com gravidade alta documentada também para humanos, e o lírio, cuja exposição em gato, mesmo limitada ao pólen, exige fluidoterapia preventiva porque o dano renal pode se tornar irreversível depois de 18 horas.
Plantas seguras confirmadas
A tabela reúne as espécies com classificação de não tóxica para cão e gato nas fontes consultadas. Onde a própria fonte registra dúvida, uma grafia antiga ou uma contradição entre duas fichas, a coluna de observação descreve o problema, em vez de apresentar a espécie como segura sem ressalva.
| Nome popular | Nome científico | Observação |
|---|---|---|
| Bromélia-estrela | Cryptanthus bivattus | Não tóxica para cão e gato. A confirmação cobre os gêneros Neoregelia e Cryptanthus; os gêneros de bromélia mais vendidos no Brasil, Aechmea, Vriesea e Tillandsia, não têm ficha nas fontes consultadas. |
| Bromélia-neoregélia | Neoregelia spp. | Não tóxica para cão e gato. Mesma ressalva do item anterior: o nome bromélia sozinho não pode ser tratado como seguro, só os gêneros de fato avaliados pela fonte. |
| Calateia | Calathea spp., inclui espécies hoje reclassificadas em Goeppertia | Não tóxica para cão, gato e cavalo. É ficha de gênero inteiro, a classificação mais sólida desta tabela, porque não depende de casar espécie por espécie. |
| Chamedórea | Chamaedorea elegans | Não tóxica para cão e gato. Binômio exato confirmado, sem ressalva de identificação. |
| Clorofito | Chlorophytum comosum | A ficha do banco de dados classifica a planta como não tóxica. Um artigo editorial da mesma fonte, de 2023, descreve a planta como levemente tóxica, com risco de vômito e diarreia em ingestões pequenas. As duas versões vêm do mesmo publicador e se contradizem. |
| Fitônia | Fittonia verschaffeltii, nome comercial Fittonia albivenis | Não tóxica para cão, gato e cavalo. Única entrada do gênero na base consultada. |
| Hoya (flor-de-cera) | Hoya carnosa | Não tóxica para cão, gato e cavalo. A cultivar krinkle kurl, a hoya-corda-hindu, tem ficha própria e não menciona cavalo. |
| Hoya-coração | Hoya kerrii | Não tóxica para cão, gato e cavalo. Vendida em vaso pequeno com uma única folha em forma de coração; apenas quatro espécies de Hoya têm ficha na fonte consultada. |
| Maranta | Maranta leuconeura (nome comercial); a ficha consultada registra o nome científico Calathea insignis | Não tóxica para cão, gato e cavalo. A cobertura da fonte é pelo nome popular maranta, não pelo binômio Maranta leuconeura, que não aparece nas listas completas da fonte. |
| Palmeira-ráfia | Rhapis excelsa; a ficha consultada usa o nome mais antigo Rhapis flabelliformus | Não tóxica para cão e gato na ficha consultada, mas o binômio Rhapis excelsa, o nome aceito da ráfia vendida no Brasil, não aparece na fonte. A equivalência entre as duas grafias é provável, sem confirmação escrita pela fonte. |
| Pata-de-elefante | Beaucarnea recurvata | Não tóxica para cão, gato e cavalo. O mesmo nome popular também é usado, no Brasil, para Alocasia e para Colocasia, aráceas tóxicas com oxalato de cálcio: confirme a espécie antes de considerar a planta segura. |
| Peperômia-de-folha-grossa | Peperomia obtusifolia | Não tóxica para cão e gato. Não existe ficha de gênero para peperômia na fonte consultada; a confirmação vale espécie por espécie. |
| Peperômia-melancia | Peperomia argyreia | Não tóxica para cão e gato. Ficha independente da anterior, reforço de que a confirmação é por espécie, não por gênero. |
| Pilea-alumínio | Pilea cadierei | Não tóxica para cão, gato e cavalo. A Pilea peperomioides, a mais vendida hoje como planta-do-dinheiro-chinesa, não tem ficha na fonte consultada, nem como tóxica nem como segura. |
| Pilea-da-amizade | Pilea involucrata | Não tóxica para cão, gato e cavalo. Mesma ressalva sobre a Pilea peperomioides. |
| Samambaia-americana | Nephrolepis exaltata | Não tóxica para cão, gato e cavalo. A cultivar de vaso mais vendida no Brasil tem ficha própria, ver samambaia-de-metro a seguir. |
| Samambaia-de-metro (Boston fern) | Nephrolepis exalta bostoniensis, grafia da fonte consultada, sem o t final em exalta | Não tóxica para cão e gato. É a cultivar efetivamente vendida em vaso no Brasil como samambaia americana. |
A base consultada avisa que a lista não pretende ser completa, apenas reunir as plantas mais encontradas, e que qualquer material vegetal, mesmo de espécie não tóxica, pode causar vômito ou desconforto digestivo em cão ou gato. Espécie ausente destas tabelas não é sinônimo de espécie segura: é espécie sem avaliação encontrada nas fontes consultadas.
Nomes que confundem
O mesmo nome popular às vezes cobre espécies diferentes, e a mesma espécie às vezes tem nomes diferentes de uma região para outra. Para toxicidade, essa instabilidade importa: confirmar a espécie evita os dois erros possíveis, descartar por engano uma planta segura ou manter em casa, por engano, uma planta tóxica.
- Pata-de-elefante é o caso de maior risco desta lista. O nome designa a Beaucarnea recurvata, confirmada segura para cão, gato e cavalo, mas também é usado, popularmente, para Alocasia e para Colocasia, aráceas com oxalato de cálcio e tóxicas. As três plantas têm porte e folha bem diferentes, mas o nome sozinho não garante qual delas está em casa.
- Costela-de-adão tem mais de um dono botânico. A planta de folha grande recortada com furos, vendida em floricultura, é Monstera deliciosa, a espécie tóxica desta tabela, e é assim que a chama a Flora Campestre da UFRGS. Já a lista oficial da flora brasileira registra o mesmo nome popular para duas espécies nativas menores, Monstera adansonii no Nordeste e Monstera subpinnata no Acre, e não registra costela-de-adão para Monstera deliciosa. Em Ribeirão Preto, o mesmo nome também é usado para Philodendron bipinnatifidum, um filodendro nativo apelidado de guaimbê. As duas espécies nativas de Monstera e o filodendro não têm ficha de toxicidade própria nas fontes consultadas.
- Jiboia também não é uma espécie só. A trepadeira de folha inteira e brilhante mais comum em apartamento é Epipremnum aureum, a espécie coberta pela tabela de tóxicas, registrada na lista oficial da flora brasileira como jiboia-verde. O mesmo nome, sem o complemento verde, também vale, na lista oficial, para Epipremnum pinnatum e para Scindapsus pictus, de outro gênero, vendida como jiboia-prateada pelas folhas com respingos prateados. Nenhuma das duas últimas tem ficha de toxicidade própria nas fontes consultadas.
- Espada-de-são-jorge cobre um grupo inteiro do gênero Dracaena, antigo Sansevieria, e a toxicidade confirmada nesta tabela é a de Dracaena trifasciata. A lista oficial da flora brasileira registra o mesmo nome popular também para Dracaena zeylanica e Dracaena stuckyi. Para aumentar a confusão, espada-de-santa-bárbara é, na lista oficial, outro nome de Dracaena stuckyi, mas no comércio e em parques públicos o mesmo nome costuma designar a variedade de folha com borda amarela da espada-de-são-jorge comum, Dracaena trifasciata var. laurentii.
- Comigo-ninguém-pode tem o problema oposto: nomes diferentes para a mesma planta. Dieffenbachia seguine, Dieffenbachia amoena e Dieffenbachia picta são, na lista oficial da flora brasileira, o mesmo táxon aceito, e aningá-do-pará é o nome usado na região Norte para essa espécie. Comigo-ninguém-pode-africano, registrado na Bahia, já é planta diferente, Aglaonema costatum: outra arácea com oxalato de cálcio, também tóxica, mas de outro gênero.
- Dólar, às vezes usado para a zamioculca, é registrado na lista oficial da flora brasileira para Coleus paniculatus, da família Lamiaceae, a das hortelãs, sem toxicidade documentada nas fontes consultadas. Quem procura pela zamioculca desta tabela deve usar esse nome, não dólar.
Crenças que colocam cão e gato em risco
O gato não evita planta tóxica por instinto
A crença de que o animal sabe o que pode comer sustenta a desculpa mais repetida para deixar uma planta tóxica ao alcance: a de que o gato só come o que precisa. A Washington State University Extension trata a ideia como mito e atribui a desmentida à própria ASPCA: cão e gato não evitam plantas tóxicas por instinto.
A Texas A&M explica o motivo real da mordida: tédio ou curiosidade, não necessidade nutricional. Um estudo com quase três mil gatos, conduzido por pesquisadores da UC Davis, testou a hipótese de que o gato come planta porque está passando mal: em duas pesquisas separadas, 94% e 91% dos gatos pareciam normais antes de comer, e menos de 4 em cada 10 vomitaram depois. Para o Cornell Feline Health Center, mastigar planta é investigação e brincadeira, comportamento normal mesmo quando a planta é letal.
A única proteção real é tirar a planta do alcance. O mesmo Cornell nota que oferecer grama, erva-de-gato ou catmint ajuda, mas não impede o gato de continuar mordendo as outras plantas da casa, e a ASPCA lembra que planta alta ou pendurada também falha como barreira: o gato entra nos cômodos de onde se tenta afastá-lo, e uma flor que envelhece derruba folha e pólen no chão, por onde o animal anda.
Tóxica não é sinônimo de mata
A palavra tóxica cobre um espectro amplo, da irritação passageira à insuficiência renal fatal, e tratar todo o espectro como sentença de morte gera pânico onde não cabe e descuido onde cabe. A própria ficha do bico-de-papagaio, da mesma fonte que classifica a planta como tóxica, descreve sua fama como superestimada: o quadro é irritação de boca e estômago, às vezes com vômito, sem risco sistêmico grave.
O Merck Veterinary Manual dá o contraponto para o grupo mais numeroso desta tabela, o das plantas com oxalato de cálcio insolúvel, caso de comigo-ninguém-pode, jiboia, filodendro e as demais aráceas: o prognóstico é bom a excelente na maioria dos casos, e a recuperação costuma acontecer sem intervenção veterinária. A ressalva séria, e rara, é o edema na garganta, que exige socorro por causa da dificuldade para respirar.
O sintoma pode demorar a aparecer
Ausência de sintoma logo depois do acidente não descarta o risco. No envenenamento por lírio em gato, documentado pela Purdue University, os primeiros sinais aparecem entre minutos e 12 horas depois da exposição, o dano renal só fica evidente entre 12 e 24 horas, e a falência renal se instala entre 24 e 72 horas.
O projeto Petmosfera, da USP, resume o padrão para plantas em geral: os sintomas podem aparecer na hora, em horas, ou só depois de dias, com intensidade variável, e algumas espécies afetam o coração e o sistema nervoso, não só o estômago. Por isso a orientação, tanto para criança quanto para cão ou gato, é procurar atendimento diante de qualquer ingestão confirmada, sem esperar a pessoa ou o animal passar mal para agir.
Leite não resolve
Oferecer leite depois de uma possível intoxicação é reflexo quase automático, mas o efeito esperado não existe. O Pet Poison Helpline lista o leite entre os erros mais comuns de primeiro socorro caseiro: raramente ajuda, e como cão e gato costumam ser intolerantes à lactose, tende a piorar o mal-estar. A comparação que o próprio centro usa é direta: assim como beber leite depois de um remédio não faz a dor de cabeça voltar, não existe nada no leite capaz de neutralizar o que o animal engoliu.
Existe uma exceção estreita, e só uma: nas plantas de oxalato de cálcio insolúvel, um pouco de laticínio logo após a mordida ajuda a aliviar a irritação na boca, porque o oxalato se liga ao cálcio e sai da boca e do esôfago junto com ele. É alívio mecânico local, não neutralização de veneno, e não vale para lírio, cica ou qualquer intoxicação sistêmica.
O mesmo reflexo caseiro leva à tentativa de provocar vômito, em geral com água oxigenada, recurso usado em cão sob orientação veterinária. Em gato, não é seguro em nenhuma circunstância: o Pet Poison Helpline descreve inflamação e ulceração de estômago e esôfago, com risco de sangramento interno que pode passar despercebido até os sinais aparecerem de fora. A orientação do Cornell Feline Health Center é direta: não tentar fazer o animal vomitar, a menos que um profissional tenha dado essa instrução especificamente.
Como apuramos
Fontes consultadas na apuração desta página:
- Disque-Intoxicação | Anvisa
- SAMU 192 | Ministério da Saúde
- [PDF] Primeiros socorros | CIATox-ES
- [PDF] Plantas tóxicas | CIATox-ES
- [PDF] Envenenamento doméstico | Sinitox/Fiocruz
- Envenenamento infantil | SESA-PR
- CIATox do Paraná | SESA-PR
- CIATox da Bahia | SESAB
- Orientação sobre intoxicação por plantas em pets | UFRA
- ASPCA Animal Poison Control
- [PDF] Boletim Informativo de Toxicologia, plantas | CIATOX/SUVISA-GO
- Dieffenbachia (comigo-ninguém-pode) | ASPCA
- Golden Pothos (jiboia) | ASPCA
- Cutleaf Philodendron (costela-de-adão) | ASPCA
- Flamingo Flower (antúrio) | ASPCA
- Mauna Loa Peace Lily (lírio-da-paz) | ASPCA
- Heartleaf Philodendron (filodendro) | ASPCA
- Chinese Evergreen (aglaonema) | ASPCA
- Alocasia | ASPCA
- Dracaena trifasciata (espada-de-são-jorge) | NC State Extension
- Snake Plant (espada-de-são-jorge) | ASPCA
- Codiaeum variegatum (croton) | NC State Extension
- Croton | Pet Poison Helpline
- Euphorbia milii (coroa-de-cristo) | NC State Extension
- Crown of Thorns (coroa-de-cristo) | Pet Poison Helpline
- Poinsettia (bico-de-papagaio) | ASPCA
- Euphorbia pulcherrima (bico-de-papagaio) | NC State Extension
- Aloe (babosa) | ASPCA
- English Ivy (hera) | ASPCA
- Hedera helix (hera) | NC State Extension
- Azalea (azaleia) | ASPCA
- Hydrangea (hortênsia) | ASPCA
- Sago Palm (cica) | ASPCA
- Cycas revoluta (cica) | NC State Extension
- Tiger Lily (lírio) | ASPCA
- Lilium lancifolium (lírio) | NC State Extension
- How to Spot Which Lilies Are Dangerous to Cats | ASPCApro
- Caladium bicolor (tinhorão) | NC State Extension
- Caladium (tinhorão) | ASPCA
- Zamioculcas zamiifolia | NC State Extension
- Insoluble Oxalates | Pet Poison Helpline
- Prayer Plant (maranta) | ASPCA
- Calathea | ASPCA
- Blunt-leaf Peperomia | ASPCA
- Watermelon Peperomia | ASPCA
- Spider Plant (clorofito) | ASPCA
- Is That Houseplant Safe for Your Pets? | ASPCA
- Lady Palm (palmeira-ráfia) | ASPCA
- Parlor Palm (chamedórea) | ASPCA
- Pony Tail (pata-de-elefante) | ASPCA
- Nerve Plant (fitônia) | ASPCA
- Feather Palm (samambaia americana) | ASPCA
- Boston Fern (samambaia-de-metro) | ASPCA
- Blushing Bromeliad (bromélia-neoregélia) | ASPCA
- Earth Star (bromélia-estrela) | ASPCA
- Aluminum Plant (pilea-alumínio) | ASPCA
- Friendship Plant (pilea-da-amizade) | ASPCA
- Honey Plant (hoya) | ASPCA
- Sweetheart Hoya (hoya-coração) | ASPCA
- Toxic and Non-Toxic Plants, lista completa | ASPCA
- Flora e Funga do Brasil, Lista Oficial | Jardim Botânico do Rio de Janeiro
- [PDF] Comunicado Técnico 153 | Embrapa Agroindústria Tropical
- Espada-de-santa-bárbara | Prefeitura de Caçapava (SP)
- Anatomia de Dieffenbachia picta | Revista Brasileira de Farmacognosia (SciELO)
- Família Araceae | Flora Campestre, UFRGS
- Costela-de-adão (Philodendron bipinnatifidum) | Jardim da Botânica USP-RP
- [PDF] Pet-Friendly Gardening | WSU Extension
- Toxic Plants to Avoid at Home | Texas A&M Pet Talk
- Characteristics of Plant Eating in Domestic Cats | PubMed Central
- [PDF] Destructive Behavior | Cornell Feline Health Center
- Which Lilies Are Toxic to Pets? | ASPCA
- Houseplants and Ornamentals Toxic to Animals | Merck Veterinary Manual
- Beautiful Spring Lilies Pose Serious Danger to Cats | Purdue University
- Projeto Petmosfera lista plantas e alimentos tóxicos para pets | Jornal da USP
- Top Ten Things to Remember When Your Pet Is Poisoned | Pet Poison Helpline
- These Houseplants Can Cause Trouble for Your Pets | ASPCA
- Why You Should Not Induce Vomiting in Cats | Pet Poison Helpline
- Feline Health Topics: Poisons | Cornell Feline Health Center
