Perola Buzios

Plantas tóxicas para cães, gatos e crianças: tabela por nome popular

Por · 2 de setembro de 2026 · Escolha e Segurança

Esta página reúne as plantas de apartamento com toxicidade confirmada para cães e gatos, organizadas pelo nome popular usado no Brasil, não pelo nome científico. Cada linha das tabelas abaixo traz o nome científico correspondente, a família botânica, a toxina, os sinais esperados em cão e gato e a conduta recomendada. Uma segunda tabela lista as espécies confirmadas como seguras.

Nenhum conteúdo desta página substitui atendimento médico ou veterinário. Diante de suspeita de ingestão ou contato, a seção seguinte, com os telefones de emergência, vem antes das tabelas de propósito: quem chega com urgência não deveria precisar rolar a página inteira para achar o que fazer.

Conduta de emergência

As orientações abaixo valem tanto para criança quanto para cão ou gato, e servem antes mesmo de identificar a planta na tabela. Elas vêm de centros de controle de intoxicação, do Ministério da Saúde e de fontes veterinárias, todos listados na seção de fontes ao final da página.

O que fazer

  1. Retirar da boca ou da pele o que restou da planta, com cuidado, sem esfregar.
  2. Enxaguar a boca com água corrente. Em contato com a pele, lavar com água corrente e sabão neutro.
  3. Em contato com os olhos, lavar com água corrente por 15 minutos e cobrir sem pressão com um pano limpo ou gaze.
  4. Guardar um pedaço da planta, ou fotografar a folha e o vaso inteiro, para identificação no atendimento.
  5. Ligar para o Disque-Intoxicação, 0800-722-6001, ou levar direto ao pronto-socorro; para cão ou gato, ligar ou levar ao veterinário com uma amostra da planta.
  6. No transporte até o atendimento, manter a pessoa ou o animal deitado de lado, para reduzir o risco de engasgo se houver vômito espontâneo no caminho.
  7. Observar mesmo sem sintoma aparente: em várias plantas desta lista, o efeito demora horas, ou dias, para aparecer.

O que não fazer

Nas plantas da família Araceae desta lista, caso de comigo-ninguém-pode, tinhorão, antúrio e as demais com oxalato de cálcio, o sinal que exige pronto-socorro ou SAMU de imediato, e não apenas uma ligação de orientação, é inchaço de boca ou língua com dificuldade para engolir ou respirar.

O Disque-Intoxicação da Anvisa, 0800-722-6001, é gratuito, atende 24 horas por dia e transfere a ligação para o centro de informação toxicológica mais próximo, dentro da Rede Nacional de Centros de Informação e Assistência Toxicológica. O SAMU, 192, do Ministério da Saúde, também gratuito e disponível 24 horas, é indicado para intoxicação exógena e envenenamento com risco imediato à vida. Alguns estados mantêm um número de CIATox próprio, como a Bahia e o Paraná. Para cão ou gato, o Brasil não tem uma linha nacional de toxicologia veterinária equivalente ao Disque-Intoxicação: o caminho é o veterinário ou o pronto-socorro veterinário mais próximo, com uma amostra da planta em mãos.

Plantas tóxicas

A tabela reúne as espécies de apartamento com toxicidade documentada para cão e gato nas fontes consultadas, em ordem alfabética pelo nome popular usado no Brasil. Aráceas, o grupo de comigo-ninguém-pode, jiboia e costela-de-adão, aparecem ao lado das demais famílias na mesma tabela, porque o risco para quem tem um cão ou gato em casa não muda conforme a classificação botânica. Onde a fonte não descreve um sinal específico para cão ou gato, a célula correspondente traz sem dado confirmado, em vez de uma suposição.

A maioria destas plantas compartilha o mesmo mecanismo, descrito pelo Pet Poison Helpline: cristais de oxalato de cálcio insolúvel, guardados sob pressão nas células da folha, perfuram a mucosa da boca quando o animal morde ou mastiga, liberando o conteúdo da célula na hora. É por isso que o sinal clínico se repete de espécie para espécie, dor, ardência e inchaço na boca, salivação e engasgo: é um evento local e imediato, não uma intoxicação que se espalha pelo corpo.

Nome popular no BrasilNome científicoFamíliaToxinaSinais em cão e gatoO que fazer
AglaonemaAglaonema commutatum (cultivares vendidas no Brasil); a ficha consultada usa Aglaonema modestumAraceaeOxalato de cálcio insolúvelIrritação oral, dor e inchaço de boca, língua e lábios, salivação excessiva, vômito e dificuldade de engolirEnxaguar a boca com água corrente, não induzir vômito e levar ao veterinário com uma amostra da planta
Alocásia (orelha-de-elefante)Alocasia spp.AraceaeOxalato de cálcio insolúvelIrritação oral, dor e inchaço de boca, língua e lábios, salivação excessiva, vômito e dificuldade de engolirEnxaguar a boca com água corrente, não induzir vômito e levar ao veterinário com uma amostra da planta
AntúrioAnthurium andraeanum; a ficha consultada usa Anthurium scherzeranumAraceaeOxalato de cálcio insolúvelIrritação oral, dor e inchaço de boca, língua e lábios, salivação excessiva, vômito e dificuldade de engolirEnxaguar a boca com água corrente, não induzir vômito e levar ao veterinário com uma amostra da planta
AzaleiaRhododendron spp.EricaceaeGraianotoxinaVômito, diarreia, fraqueza e falência cardíacaLevar ao veterinário mesmo sem sintoma, pelo risco de arritmia
BabosaAloe veraAsphodelaceae (a ficha consultada usa Liliaceae)Saponinas e antraquinonas, concentradas no látex amarelo da folha, não no gelVômito, letargia e diarreiaObservar e hidratar; procurar o veterinário se a diarreia for intensa ou persistir
Bico-de-papagaioEuphorbia pulcherrimaEuphorbiaceaeSeiva com ésteres diterpênicosIrritação de boca e estômago, às vezes com vômito, sem quadro sistêmico graveLimpar a seiva da pele, enxaguar a boca e observar; procurar o veterinário se o vômito persistir
Cica (palmeira-sagu)Cycas revolutaCycadaceaeCicasina, concentrada nas sementesVômito, fezes escuras com sangue digerido, icterícia, sede aumentada, hematomas, coagulopatia e falência hepáticaEmergência veterinária: levar o animal imediatamente, mesmo sem sintoma e mesmo com uma única semente mastigada
Comigo-ninguém-podeDieffenbachia seguineAraceaeOxalato de cálcio insolúvel e enzima proteolíticaIrritação oral, ardência intensa em boca, língua e lábios, salivação excessiva, vômito e dificuldade de engolir; o quadro costuma ser mais forte que o das demais aráceas desta tabelaEnxaguar a boca com água corrente, não induzir vômito, observar sinal de dificuldade para respirar e levar ao veterinário com uma amostra da planta
Coroa-de-cristoEuphorbia miliiEuphorbiaceaeÉsteres diterpênicos no látexBaba, perda de apetite, vômito e diarreia; irritação por contato de pele ou olho com a seivaEm contato com o olho, lavar com água corrente por vários minutos e procurar atendimento; em ingestão, enxaguar a boca e acionar o veterinário
Costela-de-adãoMonstera deliciosaAraceaeOxalato de cálcio insolúvelIrritação oral, ardência intensa em boca, língua e lábios, salivação excessiva, vômito e dificuldade de engolirEnxaguar a boca com água corrente, não induzir vômito e levar ao veterinário com uma amostra da planta
CrotonCodiaeum variegatumEuphorbiaceaeÉsteres diterpênicos na seivaIrritação oral e gastrointestinal leve, com baba, vômito ou diarreia; irritação de pele pelo contato com a seivaLavar a pele exposta com água e sabão, lavar o olho com água corrente e acionar o veterinário se a ingestão for grande ou os sinais persistirem
Espada-de-são-jorgeDracaena trifasciata (sinônimo Sansevieria trifasciata)Asparagaceae (a ficha consultada usa Agavaceae)SaponinasCão: vômito, às vezes com sangue, náusea, diarreia, apatia, perda de apetite e salivação excessiva. Gato: os mesmos sinais, mais pupilas dilatadasNão induzir vômito, oferecer água e observar; o quadro costuma ser autolimitado, mas vale acionar o veterinário
FilodendroPhilodendron hederaceumAraceaeOxalato de cálcio insolúvelIrritação oral, dor e inchaço de boca, língua e lábios, salivação excessiva, vômito e dificuldade de engolirEnxaguar a boca com água corrente, não induzir vômito e levar ao veterinário com uma amostra da planta
HeraHedera helixAraliaceaeSaponinas triterpenoides (hederagenina)Vômito, dor abdominal, salivação excessiva e diarreia; a folhagem é mais tóxica que as bagasNão induzir vômito e levar ao veterinário; qualquer ingestão de folha merece contato com o CIATox ou com o veterinário
HortênsiaHydrangea macrophylla (a ficha consultada usa Hydrangea arborescens)HydrangeaceaeGlicosídeo cianogênicoVômito, apatia e diarreia; a intoxicação por cianeto é rara, o efeito costuma ser gastrointestinalObservar, oferecer água e acionar o veterinário se a ingestão for grande ou os sinais persistirem
JiboiaEpipremnum aureumAraceaeOxalato de cálcio insolúvelIrritação oral, ardência intensa em boca, língua e lábios, salivação excessiva, vômito e dificuldade de engolirEnxaguar a boca com água corrente, não induzir vômito e levar ao veterinário com uma amostra da planta
Lírio (lírio-tigre)Lilium spp., inclui Lilium tigrinum e Lilium lancifolium; o mesmo risco renal em gato é documentado para Hemerocallis spp., o lírio-do-diaLiliaceaeDesconhecidaGato: vômito, falta de apetite, letargia e falência renal, com possibilidade de morte, mesmo com exposição só ao pólen. Cão: a fonte consultada classifica a espécie como não tóxica para cãesLevar o gato ao veterinário imediatamente, mesmo sem sintoma; tratamento iniciado depois de 18 horas da exposição pode não reverter o dano renal
Lírio-da-pazSpathiphyllum wallisiiAraceaeOxalato de cálcio insolúvelIrritação oral, dor e inchaço de boca, língua e lábios, salivação excessiva, vômito e dificuldade de engolir; apesar do nome, não é um lírio verdadeiro e não causa o quadro renal do gênero LiliumEnxaguar a boca com água corrente, não induzir vômito e levar ao veterinário com uma amostra da planta
Tinhorão (caládio)Caladium bicolor (a ficha consultada usa o sinônimo hortícola Caladium hortulanum)AraceaeOxalato de cálcio e compostos não identificadosIrritação oral, dor e inchaço de boca, língua e lábios, salivação excessiva, vômito e dificuldade de engolirEnxaguar a boca com água corrente, não induzir vômito, observar sinal de dificuldade para respirar e acionar o veterinário
ZamioculcaZamioculcas zamiifoliaAraceaeOxalato de cálcioSem dado confirmado para cão e gato nas fontes consultadas; o quadro documentado (irritação de mucosa e pele, náusea, vômito e diarreia) é o de criançasNão induzir vômito, retirar restos da planta da boca e levar ao veterinário com uma amostra da planta

Duas plantas desta tabela pedem reação imediata mesmo sem sintoma: a cica, cuja semente concentra a cicasina e cujo dano hepático em cão e gato pode ser fatal, com gravidade alta documentada também para humanos, e o lírio, cuja exposição em gato, mesmo limitada ao pólen, exige fluidoterapia preventiva porque o dano renal pode se tornar irreversível depois de 18 horas.

Plantas seguras confirmadas

A tabela reúne as espécies com classificação de não tóxica para cão e gato nas fontes consultadas. Onde a própria fonte registra dúvida, uma grafia antiga ou uma contradição entre duas fichas, a coluna de observação descreve o problema, em vez de apresentar a espécie como segura sem ressalva.

Nome popularNome científicoObservação
Bromélia-estrelaCryptanthus bivattusNão tóxica para cão e gato. A confirmação cobre os gêneros Neoregelia e Cryptanthus; os gêneros de bromélia mais vendidos no Brasil, Aechmea, Vriesea e Tillandsia, não têm ficha nas fontes consultadas.
Bromélia-neoregéliaNeoregelia spp.Não tóxica para cão e gato. Mesma ressalva do item anterior: o nome bromélia sozinho não pode ser tratado como seguro, só os gêneros de fato avaliados pela fonte.
CalateiaCalathea spp., inclui espécies hoje reclassificadas em GoeppertiaNão tóxica para cão, gato e cavalo. É ficha de gênero inteiro, a classificação mais sólida desta tabela, porque não depende de casar espécie por espécie.
ChamedóreaChamaedorea elegansNão tóxica para cão e gato. Binômio exato confirmado, sem ressalva de identificação.
ClorofitoChlorophytum comosumA ficha do banco de dados classifica a planta como não tóxica. Um artigo editorial da mesma fonte, de 2023, descreve a planta como levemente tóxica, com risco de vômito e diarreia em ingestões pequenas. As duas versões vêm do mesmo publicador e se contradizem.
FitôniaFittonia verschaffeltii, nome comercial Fittonia albivenisNão tóxica para cão, gato e cavalo. Única entrada do gênero na base consultada.
Hoya (flor-de-cera)Hoya carnosaNão tóxica para cão, gato e cavalo. A cultivar krinkle kurl, a hoya-corda-hindu, tem ficha própria e não menciona cavalo.
Hoya-coraçãoHoya kerriiNão tóxica para cão, gato e cavalo. Vendida em vaso pequeno com uma única folha em forma de coração; apenas quatro espécies de Hoya têm ficha na fonte consultada.
MarantaMaranta leuconeura (nome comercial); a ficha consultada registra o nome científico Calathea insignisNão tóxica para cão, gato e cavalo. A cobertura da fonte é pelo nome popular maranta, não pelo binômio Maranta leuconeura, que não aparece nas listas completas da fonte.
Palmeira-ráfiaRhapis excelsa; a ficha consultada usa o nome mais antigo Rhapis flabelliformusNão tóxica para cão e gato na ficha consultada, mas o binômio Rhapis excelsa, o nome aceito da ráfia vendida no Brasil, não aparece na fonte. A equivalência entre as duas grafias é provável, sem confirmação escrita pela fonte.
Pata-de-elefanteBeaucarnea recurvataNão tóxica para cão, gato e cavalo. O mesmo nome popular também é usado, no Brasil, para Alocasia e para Colocasia, aráceas tóxicas com oxalato de cálcio: confirme a espécie antes de considerar a planta segura.
Peperômia-de-folha-grossaPeperomia obtusifoliaNão tóxica para cão e gato. Não existe ficha de gênero para peperômia na fonte consultada; a confirmação vale espécie por espécie.
Peperômia-melanciaPeperomia argyreiaNão tóxica para cão e gato. Ficha independente da anterior, reforço de que a confirmação é por espécie, não por gênero.
Pilea-alumínioPilea cadiereiNão tóxica para cão, gato e cavalo. A Pilea peperomioides, a mais vendida hoje como planta-do-dinheiro-chinesa, não tem ficha na fonte consultada, nem como tóxica nem como segura.
Pilea-da-amizadePilea involucrataNão tóxica para cão, gato e cavalo. Mesma ressalva sobre a Pilea peperomioides.
Samambaia-americanaNephrolepis exaltataNão tóxica para cão, gato e cavalo. A cultivar de vaso mais vendida no Brasil tem ficha própria, ver samambaia-de-metro a seguir.
Samambaia-de-metro (Boston fern)Nephrolepis exalta bostoniensis, grafia da fonte consultada, sem o t final em exaltaNão tóxica para cão e gato. É a cultivar efetivamente vendida em vaso no Brasil como samambaia americana.

A base consultada avisa que a lista não pretende ser completa, apenas reunir as plantas mais encontradas, e que qualquer material vegetal, mesmo de espécie não tóxica, pode causar vômito ou desconforto digestivo em cão ou gato. Espécie ausente destas tabelas não é sinônimo de espécie segura: é espécie sem avaliação encontrada nas fontes consultadas.

Nomes que confundem

O mesmo nome popular às vezes cobre espécies diferentes, e a mesma espécie às vezes tem nomes diferentes de uma região para outra. Para toxicidade, essa instabilidade importa: confirmar a espécie evita os dois erros possíveis, descartar por engano uma planta segura ou manter em casa, por engano, uma planta tóxica.

Crenças que colocam cão e gato em risco

O gato não evita planta tóxica por instinto

A crença de que o animal sabe o que pode comer sustenta a desculpa mais repetida para deixar uma planta tóxica ao alcance: a de que o gato só come o que precisa. A Washington State University Extension trata a ideia como mito e atribui a desmentida à própria ASPCA: cão e gato não evitam plantas tóxicas por instinto.

A Texas A&M explica o motivo real da mordida: tédio ou curiosidade, não necessidade nutricional. Um estudo com quase três mil gatos, conduzido por pesquisadores da UC Davis, testou a hipótese de que o gato come planta porque está passando mal: em duas pesquisas separadas, 94% e 91% dos gatos pareciam normais antes de comer, e menos de 4 em cada 10 vomitaram depois. Para o Cornell Feline Health Center, mastigar planta é investigação e brincadeira, comportamento normal mesmo quando a planta é letal.

A única proteção real é tirar a planta do alcance. O mesmo Cornell nota que oferecer grama, erva-de-gato ou catmint ajuda, mas não impede o gato de continuar mordendo as outras plantas da casa, e a ASPCA lembra que planta alta ou pendurada também falha como barreira: o gato entra nos cômodos de onde se tenta afastá-lo, e uma flor que envelhece derruba folha e pólen no chão, por onde o animal anda.

Tóxica não é sinônimo de mata

A palavra tóxica cobre um espectro amplo, da irritação passageira à insuficiência renal fatal, e tratar todo o espectro como sentença de morte gera pânico onde não cabe e descuido onde cabe. A própria ficha do bico-de-papagaio, da mesma fonte que classifica a planta como tóxica, descreve sua fama como superestimada: o quadro é irritação de boca e estômago, às vezes com vômito, sem risco sistêmico grave.

O Merck Veterinary Manual dá o contraponto para o grupo mais numeroso desta tabela, o das plantas com oxalato de cálcio insolúvel, caso de comigo-ninguém-pode, jiboia, filodendro e as demais aráceas: o prognóstico é bom a excelente na maioria dos casos, e a recuperação costuma acontecer sem intervenção veterinária. A ressalva séria, e rara, é o edema na garganta, que exige socorro por causa da dificuldade para respirar.

O sintoma pode demorar a aparecer

Ausência de sintoma logo depois do acidente não descarta o risco. No envenenamento por lírio em gato, documentado pela Purdue University, os primeiros sinais aparecem entre minutos e 12 horas depois da exposição, o dano renal só fica evidente entre 12 e 24 horas, e a falência renal se instala entre 24 e 72 horas.

O projeto Petmosfera, da USP, resume o padrão para plantas em geral: os sintomas podem aparecer na hora, em horas, ou só depois de dias, com intensidade variável, e algumas espécies afetam o coração e o sistema nervoso, não só o estômago. Por isso a orientação, tanto para criança quanto para cão ou gato, é procurar atendimento diante de qualquer ingestão confirmada, sem esperar a pessoa ou o animal passar mal para agir.

Leite não resolve

Oferecer leite depois de uma possível intoxicação é reflexo quase automático, mas o efeito esperado não existe. O Pet Poison Helpline lista o leite entre os erros mais comuns de primeiro socorro caseiro: raramente ajuda, e como cão e gato costumam ser intolerantes à lactose, tende a piorar o mal-estar. A comparação que o próprio centro usa é direta: assim como beber leite depois de um remédio não faz a dor de cabeça voltar, não existe nada no leite capaz de neutralizar o que o animal engoliu.

Existe uma exceção estreita, e só uma: nas plantas de oxalato de cálcio insolúvel, um pouco de laticínio logo após a mordida ajuda a aliviar a irritação na boca, porque o oxalato se liga ao cálcio e sai da boca e do esôfago junto com ele. É alívio mecânico local, não neutralização de veneno, e não vale para lírio, cica ou qualquer intoxicação sistêmica.

O mesmo reflexo caseiro leva à tentativa de provocar vômito, em geral com água oxigenada, recurso usado em cão sob orientação veterinária. Em gato, não é seguro em nenhuma circunstância: o Pet Poison Helpline descreve inflamação e ulceração de estômago e esôfago, com risco de sangramento interno que pode passar despercebido até os sinais aparecerem de fora. A orientação do Cornell Feline Health Center é direta: não tentar fazer o animal vomitar, a menos que um profissional tenha dado essa instrução especificamente.

Como apuramos

Fontes consultadas na apuração desta página:

Luciana Baptista

Luciana Baptista

Cultivadora de plantas de interior

Luciana Baptista cultiva plantas em apartamento desde 2018 e escreve o Pérola Búzios. Testa cada orientação nos próprios vasos antes de publicar, inclusive as que não funcionam. Escreve para quem tem pouca luz, pouco espaço e vontade de acertar.